provisória e paralelamente estamos AQUI !!!
2 de março de 2014
5 de novembro de 2013
O Caso da Borboleta Atíria

Parte da coleção Vaga-Lume
Autor:
Lúcia Machado de Almeida
Lúcia Machado de Almeida
Um crime acontece no mundo dos insetos. A noiva do Príncipe Grilo foi assassinada. Os mesmos criminosos seqüestram a borboleta Atíria.
Quem seriam eles e qual o motivo do crime?
Imagem de um dos capítulos iniciais do livro: Atíria com seu melhor amigo. Você sabe quem é ele?
A autora deste livro é Lúcia Machado de Almeida
Biografia de Lúcia Machado de Almeida: http://sabordeler.wordpress.com/2009/10/03/lcia-machado-de-almeida/
Algumas notícias sobre a autora: http://search.folha.com.br/search?q=%22L%FAcia%20Machado%20de%20Almeida%22&site=online
_______________________________________________________________
No youtube, está sendo anunciado um vídeo sobre a obra. A promessa é de publicação em 2014. Oxalá!
Para saber mais sobre esta produção:
http://ocasoatiria.blogspot.com.br
http://ocasoatiria.blogspot.com.br/p/sobre.html
29 de dezembro de 2012
Um Conto de Natal
Todo Natal, ou releio esta história ou assisto a uma versão que não conhecia.
Em outro ano, publiquei aqui no blog um link para a história completa: http://professorasumaya.blogspot.com.br/search/label/Charlies%20Dickens
Neste ano, indico esta linda versão:
Ano: 1999
Duração: 100 minutos
Origem: EUA
Distrubuidora: David Hugh Jones
Direção: David Hugh Jones
Roteiro: Peter Barnes, baseado em estória de Charles Dickens
Produção: Dyson Lovell
Música: Stephen Warbeck
Fotografia: Ian Wilson
Elenco: Patrick Stewart (Ebenezer Scrooge),
Richard E. Grant (Bob Cratchit),
Joel Grey (Fantasma dos Natais Passados),
Ian McNeice (Albert Fezziwig),
Saskia Reeves (Sra. Cratchit),
Desmond Barrit (Fantasma do Natal Presente),
Bernard Lloyd (Fantasma de Jacob Marley),
Dominic West (Fred),
Trevor Peacock (Joe),
Liz Smith (Sra. Dilber),
Elizabeth Spriggs (Sra. Riggs),
Kenny Doughty (Scrooge - jovem),
Laura Fraser (Belle),
Celia Imrie (Sra. Bennett),
John Franklyn-Robbins (Sr. Crump),
Tim Potter (Fantasma dos Natais Futuros).
Ebeneezer Scrooge (Patrick Stewart) é um avarento homem de negócios, que detesta a época de Natal e odeia ter de dar um dia de folga para o melhor empregado dele, Bob Cratchit (Richard E. Grant). Na véspera de Natal Scrooge é visitado pelo fantasma do seu último amigo e sócio, Jacob Marley (Bernard Lloyd), que, após morrer, viu os erros que cometeu. Assim Marley avisa para Scrooge que ele será visitado pelos fantasmas do Natal passado, presente e futuro, com a esperança que isto ensine Scrooge da importância de ser solidário na época de Natal.
Em outro ano, publiquei aqui no blog um link para a história completa: http://professorasumaya.blogspot.com.br/search/label/Charlies%20Dickens
Neste ano, indico esta linda versão:
Ano: 1999
Duração: 100 minutos
Origem: EUA
Distrubuidora: David Hugh Jones
Direção: David Hugh Jones
Roteiro: Peter Barnes, baseado em estória de Charles Dickens
Produção: Dyson Lovell
Música: Stephen Warbeck
Fotografia: Ian Wilson
Elenco: Patrick Stewart (Ebenezer Scrooge),
Richard E. Grant (Bob Cratchit),
Joel Grey (Fantasma dos Natais Passados),
Ian McNeice (Albert Fezziwig),
Saskia Reeves (Sra. Cratchit),
Desmond Barrit (Fantasma do Natal Presente),
Bernard Lloyd (Fantasma de Jacob Marley),
Dominic West (Fred),
Trevor Peacock (Joe),
Liz Smith (Sra. Dilber),
Elizabeth Spriggs (Sra. Riggs),
Kenny Doughty (Scrooge - jovem),
Laura Fraser (Belle),
Celia Imrie (Sra. Bennett),
John Franklyn-Robbins (Sr. Crump),
Tim Potter (Fantasma dos Natais Futuros).
Ebeneezer Scrooge (Patrick Stewart) é um avarento homem de negócios, que detesta a época de Natal e odeia ter de dar um dia de folga para o melhor empregado dele, Bob Cratchit (Richard E. Grant). Na véspera de Natal Scrooge é visitado pelo fantasma do seu último amigo e sócio, Jacob Marley (Bernard Lloyd), que, após morrer, viu os erros que cometeu. Assim Marley avisa para Scrooge que ele será visitado pelos fantasmas do Natal passado, presente e futuro, com a esperança que isto ensine Scrooge da importância de ser solidário na época de Natal.
7 de setembro de 2012
Bertolt Brecht
De que serve a bondade se os bons são imediatamente liquidados,ou são liquidados aqueles para os quais eles são bons?
De que serve a liberdade se os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?
Em vez de serem apenas bons,esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade, ou melhor:que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres,esforcem-se para criar um estado de coisas que liberte a todos e também o amor à liberdade torne-se supérfluo!
Em vez de serem apenas razoáveis,esforcem-se para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo um mau negócio.
Bertolt Brecht
Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Bertolt Brecht
Os que lutam
Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Bertolt Brecht
Precisamos De Você.
Aprende - lê nos olhos,
lê nos olhos - aprende
a ler jornais, aprende:
a verdade pensa
com tua cabeça.
Faça perguntas sem medo
não te convenças sozinho
mas vejas com teus olhos.
Se não descobriu por si
na verdade não descobriu.
Confere tudo ponto
por ponto - afinal
você faz parte de tudo,
também vai no barco,
"aí pagar o pato, vai
pegar no leme um dia.
Aponte o dedo, pergunta
que é isso? Como foi
parar aí? Por quê?
Você faz parte de tudo.
Aprende, não perde nada
das discussões, do silêncio.
Esteja sempre aprendendo
por nós e por você.
Você não será ouvinte
diante da discussão,
não será cogumelo
de sombras e bastidores,
não será cenário
para nossa ação.
Bertolt Brecht
Disponível em: <http://www.culturabrasil.pro.br/brechtantologia.htm>. Acesso em 07 set. 2012.
De que serve a liberdade se os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão se somente a desrazão consegue o alimento de que todos necessitam?
Em vez de serem apenas bons,esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade, ou melhor:que a torne supérflua!
Em vez de serem apenas livres,esforcem-se para criar um estado de coisas que liberte a todos e também o amor à liberdade torne-se supérfluo!
Em vez de serem apenas razoáveis,esforcem-se para criar um estado de coisas que torne a desrazão de um indivíduo um mau negócio.
Bertolt Brecht
Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
Bertolt Brecht
Os que lutam
Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
Bertolt Brecht
Precisamos De Você.
Aprende - lê nos olhos,
lê nos olhos - aprende
a ler jornais, aprende:
a verdade pensa
com tua cabeça.
Faça perguntas sem medo
não te convenças sozinho
mas vejas com teus olhos.
Se não descobriu por si
na verdade não descobriu.
Confere tudo ponto
por ponto - afinal
você faz parte de tudo,
também vai no barco,
"aí pagar o pato, vai
pegar no leme um dia.
Aponte o dedo, pergunta
que é isso? Como foi
parar aí? Por quê?
Você faz parte de tudo.
Aprende, não perde nada
das discussões, do silêncio.
Esteja sempre aprendendo
por nós e por você.
Você não será ouvinte
diante da discussão,
não será cogumelo
de sombras e bastidores,
não será cenário
para nossa ação.
Bertolt Brecht
Disponível em: <http://www.culturabrasil.pro.br/brechtantologia.htm>. Acesso em 07 set. 2012.
9 de fevereiro de 2012
A Dividida
Luís Fernando Veríssimo
Raimundo entrou firme, Luiz Carlos voou longe. A bola espirrou pela linha de fundo…
- Pô, Mundo! – disse Luiz Carlos, do chão.
- É pra homem – disse Raimundo. E em seguida foi pra cima do juiz, que tinha dado escanteio. – Bola prensada! Bola prensada!
No vestiário, Luiz Carlos mostrou a perna para o Raimundo.
- Olha o que você fez.
- É do jogo, meu.
- Do jogo, não. Tu é que é um animal.
A discussão continuou no carro. Luiz Carlos dava carona para o Raimundo.
Todas as terças, do condomínio para o ginásio, do ginásio para o condomínio.
Os dois se conheciam desde a adolescência. Eram sócios numa firma de engenharia. Eram cunhados. Moravam em casas pegadas, no mesmo condomínio.
Sempre jogavam no mesmo time. Naquela noite, Raimundo fora aliciado pelo outro time. Tinha fama de bom marcador. Viril, mas leal.
- Acho que vou ter que tirar uma radiografia.
- É, flor?
- Pô, tu ainda brinca?
- Não foi nada. Eu entrei na bola.
- Entrou por cima.
- Na bola! Você é que entrou com pé de anjo.
- Olha o que o seu irmão me fez.
- O Mundo fez isso?
- Fez. Entrou por cima da bola. Não sei como eu não quebrei a perna.
- O time de vocês anda bom, hein? Um trombando no outro…
- Ele jogou no outro time. É um animal.
- O Mundo, um animal?
- Você nunca viu ele numa quadra. Se transforma.
- O Mundo é incapaz de matar uma mosca.
- Porque elas fazem o que eu não fiz. Pulam fora.
Na manhã seguinte, se encontraram, cada um saindo da sua casa. Luiz Carlos mancando, Raimundo caçoando.
- Pensei que você estivesse no hospital…
- Olha aqui, ó troglodita. Não fala comigo – Na UTI!
- Isto é o que dá jogar contra perna-de-pau.
- Ah é? Eu sou perna-de-pau? Eu sou viril, mas leal, se você quer saber.
Viril, mas leal.
- Viril, mas leal… Assassino, mas traiçoeiro, isso sim.
- Eu divido, meu irmão.
- E eu?!
- Você pipoca.
- Eu não acredito… Você entrou por cima da bola, Mundo.
Admite.
- Entrei na bola!
- Por cima!
A discussão continuou na reunião das quartas, na firma. Ficou tão violenta que a reunião teve que ser suspensa. Decisões importantes foram adiadas porque os dois não quiseram mais se falar, naquele dia ou no resto da semana. E no sábado, pela primeira vez desde que tinham se mudado para o condomínio, as duas famílias não fizeram o churrasco juntas. Cada um fez na sua churrasqueira. E proibiu a mulher e os filhos de se aproximar da mulher e dos filhos do outro.
No domingo, as mulheres decidiram que aquilo já fora longe demais.
Convenceram os dois a sentar para conversar. Como amigos. Como parentes.
Como sócios. Como adultos.
- Foi inveja – disse o Raimundo.
- O quê?!
- Deixa o Mundo falar, Luiz Carlos – pediu a mulher dele. – Depois você fala.
O Raimundo contou que tinha sido convocado para reforçar o outro time, que sempre perdia nos jogos das terças. Justamente porque não tinha um jogador como ele. Bom marcador. Viril, mas leal. E o Luiz Carlos ficara com ciúmes por não ter sido o escolhido. Porque o Luiz Carlos, para quem não soubesse, era um ciscador, dado a brilhaturas inúteis, ao contrário dele, que entrava para decidir jogos. Tanto que o seu time fora o vencedor, naquela noite. Por ciúmes, o Luiz Carlos tentara acertá-lo numa bola dividida, e ele apenas se defendera. Por ser apenas um ciscador inconseqüente, e não saber dividir bola, levara a pior.
Luiz Carlos estava com o rosto escondido entre as mãos, como que envergonhado pelo outro. Levantou a cabeça quando Raimundo acabou de apresentar o seu lado.
- Posso falar? Você já acabou de mentir?
- Fala.
- Dividir bola é uma coisa. Entrar com o pé por cima da bola é outra. Não é uma questão de estilo. É uma questão de ter ou não ter caráter.
- É uma questão de ser ou não ser veado.
- Veado não!
- Sabe de uma coisa? A firma só foi pra frente nestes anos todos porque eu estava lá pra dividir todas. Eu dividia enquanto você pipoqueava.
- “Pipoqueava”, não!
A reunião de paz terminou em guerra declarada.
Na firma, a situação ficou insustentável. Negócios foram perdidos porque os dois se recusavam a se encontrar. Acabaram desfazendo a sociedade.
Abandonaram o condomínio. Perderam dinheiro. Os dois, aliás, estão muito mal de vida. Mas nenhuma reconciliação é possível. Segundo Raimundo, no mundo há os que dividem a bola e há os que não dividem. Segundo Luiz Carlos, o mundo está dividido entre os que vão na bola e os que vão com o pé por cima. E quando as mulheres perguntaram como os dois tinham vivido e trabalhado juntos em paz durante tanto tempo, os dois responderam a mesma coisa. Era porque nunca antes tinham jogado um contra o outro.
texto extraído do jornal O Estado de São Paulo – Jun/2001
6 de dezembro de 2011
Canto de Natal
Manuel Bandeira
O nosso meninoNasceu em Belém.Nasceu tão-somentePara querer bem.
Nasceu sobre as palhasO nosso menino.Mas a mãe sabiaQue ele era divino.
Vem para sofrerA morte na cruz,O nosso menino.Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceitaO humano destino:Louvemos a glóriaDe Jesus menino.
A poesia acima foi extraída da "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2001, pág. 137.
Disponível em: <http://www.releituras.com/mbandeira_canto.asp>. Acesso em 06 dez. 2011.
10 de novembro de 2011
USP - 2011 (pra quem vê de fora)
de Novembro de 2011 às 16:04
Somos alunos da ECA-USP e visto a falta de imparcialidade da mídia com referência aos últimos acontecimentos ocorridos dentro da Universidade de São Paulo, cremos ser importante divulgar o cenário real do que realmente se passa na USP. Alguns fatos importantes que gostaríamos de mostrar:
- O incidente do dia 27/10/11, quando 3 alunos foram pegos portando maconha, NÃO foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes.
- Portanto, gostaríamos de explicitar que a legalização da maconha, seja dentro da Cidade Universitária ou em qualquer espaço público, não é uma reivindicação estudantil. Alguns grupos até estão discutindo essa questão, mas ela NÃO entra na pauta de discussões que estamos tendo na USP.
- Os alunos da USP NÃO são uma unidade. Dentro da Universidade há diversas unidades (FFLCH, FEA, Poli, etc.) e, dentro de cada unidade, grupos com diferentes opiniões. Por isso não se deve generalizar atitudes de minorias para uma universidade inteira. O que estamos fazendo, isso no geral, é sim discutir a situação atual em que se encontra a Universidade.
- O Movimento Estudantil, responsável pelos eventos recentes, NÃO é uma organização e tampouco possui membros fixos. Cada ação é deliberada em assembleia por alunos cuja presença é facultativa. O que há é uma liderança desse movimento, composta principalmente por membros do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e dos CAs (Centros Acadêmicos) de cada unidade. Alguns são ligados a partidos políticos, outros não.
- Portanto, os meios pelos quais o Movimento Estudantil se mostra (invasões, pixações, etc.) não são decisão de maiorias e, portanto, são passíveis de reprovação. Seus fins (ou seja, os pontos reais que são discutidos), no entanto, têm adesão muito maior, com 3000 alunos na assembleia do dia 08/11.
- Apesar de reprovar os meio usados pelo Movimento Estudantil (invasões, depredação), não podemos desligitimar as reivindicações feitas por esses 3000 alunos. Os fatos não podem ser resumidos a uma atitude de uma parcela muito pequena dos universitários.
Sabendo do que esse movimento NÃO se trata, seguem suas reinvidicações:
DISCUSSÃO DO CONVÊNIO PM-USP / MODELOS DE SEGURANÇA NA USP
A reivindicação estudantil não é: PM FORA DO CAMPUS, mas antes SEGURANÇA DENTRO DO CAMPUS. Os estudantes crêem na relação dessas reivindicações por três motivos:
A PM não é o melhor instrumento para aumentar a segurança, pois a falta de segurança da Cidade Universitária se deve, entre outros fatores, a um planejamento urbanístico antiquado, gerando grandes vazios. Iluminação apropriada, política preventiva de segurança e abertura do campus à populacão (gerando maior circulação de pessoas) seriam mais efetivas. Mas, acima de tudo...
A Guarda Universitária deve ser responsável pela segurança da universidade. Essa guarda já existe, mas está completamente sucateada. Falta contingente, treinamento, equipamento e uma legislação amparando sua atuação. Seria muito mais razoável aprimorá-la a permitir a PM no campus, principalmente porque...
A PM é instrumento de poder do Estado de São Paulo sobre a USP, que é uma autarquia e, como tal, deveria ter autonomia administrativa. O conceito de Universidade pressupõe a supremacia da ciência, sem submissão a interesses políticos e econômicos. A eleição indireta para reitor, com seleção pessoal por parte do governador do Estado, ilustra essa submissão. O atual reitor João Grandino Rodas, por exemplo, era homem forte do governo Serra antes de assumir o cargo.
POSTURA MAIS TRANSPARENTE DO REITOR RODAS / FIM DA PERSEGUIÇÃO AOS ALUNOS
Antes de tudo, independentemente de questões ideológicas, Rodas está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por corrupção, sob acusação de envolvimento em escândalos como nomeação a cargos públicos sem concurso (inclusive do filho de Suely Vilela, reitora anterior a Rodas), criação de cargos de Pró-Reitor Adjunto sem previsão orçamentária e autorização legal, e outros.
No mais, suas decisões são contrárias à autonomia administrativa que é direito de toda universidade. Depois de declarar-se a favor da privatização da universidade pública, suspendeu salários em ocasiões de greve, anunciou a demissão em massa de 270 funcionários e, principalmente, moveu processos contra alunos e funcionários envolvidos em protestos políticos.
Rodas, em suma: foi eleito indiretamente, faz uma gestão corrupta e destrói a autonomia universitária.
Você pode estar pensando…
MAS E O ALUNO MORTO NO ESTACIONAMENTO DA FEA-USP, ENTRE OUTRAS OCORRÊNCIAS?
Sobre o caso específico, a PM fazia blitz dentro da Cidade Universitária na noite do assassinato. Ainda é bom lembrar que a presença da PM já vinha se intensificando desde sua primeira entrada na USP, em Junho/2009 (entrada permitida por Rodas, então braço-direito de Serra). Mesmo assim, ela não alterou o número de ocorrências nesse período comparado com o período anterior a 2009. Ao contrário, iniciou um policiamento ostensivo, regularmente enquadrando alunos, mesmo em unidades nas quais mais estudantes apoiam sua presença, como Poli e FEA.
MAS E A DIMINUIÇÃO DE 60% NA CRIMINALIDADE APÓS O CONVÊNIO USP-PM?
São dados corretos. Porém a estatística mostra que esta variação não está fora da variação anual na taxa de ocorrências dentro do campus ( http://bit.ly/sXlp0U ). A PM, portanto, não causou diminuição real da criminalidade na USP antes ou depois do convênio. Lembre-se: ela já estava presente no início do ano, quando a criminalidade disparou.
MAS, AFINAL, PARA QUE SERVE A TAL AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA?
Serve para que a Universidade possa cumprir suas funções da melhor maneira possível. De maneira simplista, são elas:
- Melhorar a sociedade com pesquisas científicas, sem depender de retorno financeiro imediato.
- Formar cidadãos com um verdadeiro senso crítico, pois mera especialização profissional é papel de cursos técnicos e de tecnologia.
Importante: autonomia universitária total não existe. O dinheiro vem sim do Governo, do contribuinte, porém a autonomia universitária não serve para tirar responsabilidades da Universidade, mas sim para que ela possa cumprir essas responsabilidades melhor.
COMO ISSO ME AFETA? POR QUE EU DEVERIA APOIA-LOS?
As lutas que estão ocorrendo na USP são localizadas, mas tratam de temas GLOBAIS. São duas bandeiras: SEGURANÇA e CORRUPÇÃO, e acreditamos que opiniões sobre elas não sejam tão divergentes. Alguém apoia a corrupção? Alguem é contra segurança?
O que você acha mais sensato:
- Rechaçar reivindicações justas por conta de depredações e atos reprováveis de uma minoria, ou;
- Aderir a essas mesmas reivindicações, propondo ações mais efetivas?
Você tem a liberdade de escolher, contra-argumentar ou mesmo ignorar.
Mas lembre-se de que liberdade só existe com esclarecimento.
Esperamos ter contribuído para isso.
Se você se interessa pelo assunto, pode começar lendo este depoimento: http://on.fb.me/szJwJt
Bárbara Doro Zachi
Jannerson Xavier Borges
PS: Já que a desconfiança é com a mídia, evitamos linkar material de qualquer veículo.
Disponível em: http://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739. Acesso em 10 nov. 2011.
________________________________________________
"Será que não termina nunca? Porque desde que a gente se conhece, a cada par de ano estamos nós nas ruas, nas passeatas, nas assembleias, na repetição interminável do autoritarismo, da repressão, da ausência de diálogo.
...
Essa sensação de que é interminável: de que nós não fazemos outra coisa senão defender a Universidade, defender a Educação, defender a Cultura, defender a Democracia nesse país desde sempre.
[...]
(Para os estudantes da USP:) que você se sintam parte de uma longa História! Uma História que não começa com vocês. Provavelmente não terminará com vocês. E passará a seus filhos e depois a seus netos. Se este país continuar sempre dessa maneira em que a cada manifestação de discordância, de oposição e de cidadania, a resposta for a polícia.
O que há de inacreditável dessa vez, como aliás em 2007, é que, em uma única gestão, a Reitoria tenha conseguido trazer duas vezes a polícia para dentro do Campus. É muita coisa para uma história só. Numa única gestão. Não é possível uma coisa dessa.
É preciso também levar em conta o modo como a imagem da Universidade Pública está sendo distorcida nos meios de comunicação nesses últimos dias: a ideia de que nós não representamos a Universidade Pública, nem os interesses da Universidade Pública, nem os direitos da Universidade Pública, mas que nós queremos destruir a Universidade Pública e impedir que aqueles que querem fazer pesquisa, aqueles que querm lecionar, aqueles que querem estudar possam realizar os seus objetivos porque nós estamos aqui para impedir.
A ideia é uma construção lenta, gradual e segura da imagem de que aqueles que se colocam na defesa da Universidade Pública apareçam como aqueles que querem destruí-la e depredá-la."
Professora Marilena Chauí (http://www.fflch.usp.br/df/sit e/professores/chaui.php), em ato contra a presença da PM na USP, realizado no dia 16/06/09 no anfiteatro da Geografia-FFLCH.
...
Essa sensação de que é interminável: de que nós não fazemos outra coisa senão defender a Universidade, defender a Educação, defender a Cultura, defender a Democracia nesse p
YOUTUBE - Marilena Chauí :: Contra a PM na USP :: 16/06/09
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Só quem fez movimento estudantil é que sabe a importância desta imagem. Só quem fez movimento estudantil na USP emociona-se com essa imagem. Só quem fez movimento estudantil na USP e se formou na FFLCH sabe quão caluniosa é essa história de que o movimento é composto por playboys e garotos mimados. Só quem, sendo trabalhador, fez movimento estudantil, participou de greves e mesmo assim deu conta de sua vida acadêmica sabe o quanto ofende quando dizem que o que está acontecendo na USP é coisa de vagabundos. Parem de reproduzir essa bobagem que o PIG diz sobre a maconha e outras distorções. Informem-se. Só quem já viveu o debate dentro da USP sabe que o que chega pela tela da tv globo e pela VEJA não é nada do que realmente acontece por lá. Sim, pelas bobagens que tenho lido por aí, só quem viveu algo semelhante que esses estudantes estão vivendo entende quão importante é uma imagem como esta. Ainda bem que eu sei! (Sumaya - @_sumaya)
Foto de http://www.facebook.com/bwstefano
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20 de setembro de 2011
Algumas lendas rurais de São Paulo
"Quando uma canoa desce o rio Tietê, sem nenhum barqueiro a remá-la, costuma-se dizer que ela está levando as almas de antigos bandeirantes falecidos nesse rio (...) ninguém se atreve a pegar a canoa para si, pois fica valendo a crença de que os espíritos estão dentro da canoa e eles não iriam aceitar que ela lhes fosse tomada."
"Dizem que de madrugada, nas ruas dos canaviais de Dois Córregos, às vezes aparece o Caminhão-Fantasma, de farol-alto, que trafega sem motorista. Os caminhoneiros que já cruzaram com esse veículo falam que primeiramente só se vê o farol, e quando eles se encostam no canavial para dar passagem, o Caminhão-Fantasma se apaga completamente, desaparecendo como por encanto."
"Em uma das pequenas grutas situadas no sopé da Pedra Branca mora o Unhudo. Dizem que suas unhas - ou garras - são realmente muito grandes, que ele tem cerca de dois metros de altura, que possui cabelos compridos e que usa um chapéu de palha cujas abas já estão desfiadas pelo tempo. Mas o Unhudo não pode ser considerado um ser humano. Trata-se de uma entidade fantástica, pois quem o viu garante que por trás das roupas esfarrapadas está um couro seco, já que seu corpo não é encarnado. Desse modo, segundo se comenta, o Unhudo seria um morto vivo. Quando passa alguma boiada perto da Pedra Branca, o Unhudo se esconde atrás de um tronco de árvore e fica repetindo o aboio que os boiadeiros costumam dizer com sua fala cantando pra tocar o boi. Assim, se o boiadeiro grita ‘ô boi!’, o Unhudo repete ‘ô boi!’, como se fosse um eco. (...) ele não aceita que as pessoas colham jabuticabas silvestres e nem orquídeas naquele local. E toda pessoa que se atreve a desobedecê-lo corre o risco de levar um tapa que costuma arremessar o indivíduo para o outro lado do rio Tietê. E foi mais ou menos assim que aconteceu com ‘Zé’ Ramos que morava naquele baixão de serra com a sua família. De acordo com o depoimento de seu filho ‘Neguito’ Ramos (hoje ele reside na Coloninha da Paulista, em Dois Córregos), certa vez, no início do século XX, ‘Zé’ Ramos se enfiou na mata da Pedra Branca para catar jabuticabas silvestres. E ele já estava trepado em uma jabuticabeira, colhendo as frutas, quando ouviu uma voz rouquenha que lhe disse:
-Moço, essa fruteira 'tá reservada pra mim
Percebendo que não estava diante de um ser humano, e sim de uma entidade perigosa, ‘Zé’ Ramos sacou sua garrucha e disparou dois tiros contra o peito do Unhudo. As balas, entretanto, passaram pela entidade sem fazer nenhum dano, e naquele mesmo instante ‘Zé’ Ramos perdeu os sentidos, certamente atingido por um tapa do ‘morto- vivo’.
Durante dois dias, os filhos de ‘Zé’ Ramos estiveram a procurá-lo nas proximidades da Pedra Branca, mas ele só foi encontrado no bairro das Contendas, na beira do rio Tietê, um dia depois de haver desmaiado. De acordo com o que ‘Zé’ Ramos contou para a sua família e amigos, após acordar do tapa ele ficou vagando sem rumo pela mata, muito embora toda aquela região lhe fosse bastante familiar. E depois disso esse assunto passou a ser evitado em sua casa, pois sempre que alguém citava o Unhudo, ‘Zé’ Ramos ficava muito emocionado e não conseguia conter as lágrimas.
(...) Existe uma versão, sobre a origem dessa lenda que envolve a figura do major Cesário Ribeiro de Barros - antigo dono da fazenda onde se situa a Pedra Branca.
De acordo com essa versão, o major, cujo enterro foi feito em Dois Córregos, teve seu corpo desenterrado pelo coveiro, tempos depois, para um serviço de rotina do cemitério e então se descobriu que ele estava intacto - nenhum verme o havia comido. Para que o corpo se desfizesse ele foi colocado no campanário da igreja matriz, mas mesmo assim não houve a putrefação. Por esse motivo o povo passou a dizer que o Unhudo seria a alma penada do major Cesário, pois conforme se acreditava, o espírito de uma pessoa falecida jamais teria paz enquanto o corpo não se deteriorasse."
"O negócio do Unhudo eu tinha 15 anos. Quando ele pegou o sr. Zé Ramos conhecido nosso véio, ele tava com 50 e poucos anos. Aí foi em quatro cavaleiros, domingo depois do almoço, de tarde já 4 horas, mas era mato aquele tempo, tinha mato, hoje tem pouco mato. Aí amansou o cavalo, saiu um pra lá, outro pra cá, três, e ele saiu pra cá, achou um baixinho dava pra ele subir, na fruiteira, aí o bicho chegou. Couro mais chapéu de palha, bota, mas só osso sabe? Carne igual nós, não tem o Unhudo. Faz chop, chop... (faz gesto com a mão de punho fechado no peito):
- Ô moço desce daí, aqui é meu. Pra quem você pediu pra apanhar fruita aí? - ele falou
- Ah eu não sabia de nada.
- Aqui é meu - bateu no couro: chop, chop, chop (faz gesto de punho fechado batendo no peito)
O seu Zé falou :
- Ih... Hoje tá danado.
Aí o seu Zé intimidou e ele falou:
- Então eu vou de encontro.
E aí pegou na fruiteira e foi subindo sabe?
O seu Zé tinha uma chumbeirinha pequena, eu tenho em casa. Ai seu Zé arrancou e atirou nele, mas não viu mais nada. Aí ele caiu, falou pro pai que doeu assim, mas não sabe se o bicho deu um tapa ou se ele caiu no chão, ele contou certo, mas não chamou nem os companheiros, não gritou, sumiu o sentido. Aí ele agarrou pra lá, pro outro lado do Tietê tinha o picadão e lá ele subiu. Ai lá ele sentou e dormiu.
Mas não tinha morador muito aquele tempo, só tinha dois no meu tempo sabe, na beira do Tietê, mas eles não vinha pra cá, vinha pra Barra, Sta. Maria sabe? Por lá ele dormiu, Quando foi segunda–feira ele acordou, tinha um reloginho de bolso, olhou no relógio era onze e meia do dia. Aí ele começou a rezar, rezar, pessoar velho sabe rezar. Aí o sentido veio vindo. Ele morava pra cá do Morro Alto, onde eu morava.
Aí ele veio e chegou na casa dele eram seis horas da tarde, com fome. Aí eu conheci a dona Paula mulher dele e ela:
- O que aconteceu Zé?
Mas ele já tava meio sabe, não contou, não contou não.
No dia seguinte ele contou pra ela, pra dona Paula que o bicho tinha pegado ele e atrapalhou a idéia, não gritou nem os companheiros. E os companheiros gritaram, tinha onça aquele tempo sabe, onça pintada. Ah comeu o véio! E no caminho sentado rasgou tudo a roupa, tudo e aí ele olhou no relógio eram onze e meia e aí ele começou a rezar, rezar e o sentido veio vindo sabe, aí ele veio, achou a casa dele veio pra cá, pra casa.
Aí ele contou pro pai na mesa assim, mas eu tinha 15 anos tava perto. O que ele contou pro meu pai eu conto pro cês aqui, só, a prosa é essa mais nada.
Assombrou meu pai também. Ele morou na beira do Tietê dois anos, é meu pai era carreiro de boi e atrasou na venda. Meia-noite. E logo o bicho:
- Ue, Ue, ...
E o medo, tinha medo, cresceu o cabelo no chapéu, mas não via o bicho tava muito escuro. Aí chegou em casa e contou pra mãe. E a mãe outro dia cedo, era molecada, dois irmão e eu.
- Que bicho é esse?
- É o tar de corpo seco. Mora lá na Pedra Branca.
Mas não viu ele, agachava pra ver, mas tava muito escuro. (...) Eu caçava lá, eu sou caçador, eu olhava no pé do pau pra ver se ele tava lá. Eu olhava cismado, a gente vem e trabalha cismado.
(...) Com o seu Zé Ramos foi de tarde. Era uma fruiteirinha baixinha, dava umas quatro latas de querosene, ele começou e o bicho chegou, bateu no peito:
- Com ordem de quem tá apanhando fruita aí?
E o seu Zé não sabia quem era.
- Pra pegar tem que pedir pra mim.
O seu Zé não sabia, ele foi subindo na fruiteira e o seu Zé arrancou a chumbeira e fez tá, tá (tiros) não viu mais nada. Falou pro pai que caiu. Aí ele veio aqui e não sabe se o bicho deu um tapa ou ele caiu no chão. Sumiu o sentido naquela hora. Os companheiros precuraram ele, mas falou, tinha onça aquele tempo, comeu o véio né? E ele tava vivo, dormindo, o seu Zé Ramos. É só isso a prosa mais nada."
O conteúdo acima foi retirado da dissertação de Tamara de Souza Brandão Guaraldo.
Na dissertação da Tamara Guaraldo, você encontra as fontes dos trechos citados, uma foto do major Cesário Ribeiro de Barros, uma matéria de jornal que registra um dos ataques do Unhudo e muito mais sobre a lenda do unhudo e sobre a cultura folclórica de Dois Córregos.
Para ler a dissertação, acesse o seguinte endereço:
Disponível em: http://www.faac.unesp.br/posgraduacao/Pos_Comunicacao/pdfs/tamara.pdf. Acesso em: 20 set. 2011.
Para assistir a um vídeo sobre a lenda do unhudo, acesse o seguinte endereço:
Disponível em: http://g1.globo.com/videos/sao-paulo/v/lenda-do-unhudo-e-usada-para-preservacao-da-natureza-no-interior-do-estado/1633346/#/Todos%20os%20v%C3%ADdeos/page/1. Acesso em: 20 set. 2011.
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| Fonte da imagem: http://www.doiscorregos.sp.gov.br/ |
29 de agosto de 2011
Mariquinha teimosa
| Escrito por Rolando Boldrin |
Teimosia e estupidez são gêmeos, já se dizia na antiguidade. E só vendo no causo do Rolando Boldrin como isso é uma verdade. Todo mundo sabe que o jeito de soltar foguete é chegar o fogo na pólvora e, quando acende, a gente solta logo. Assim o dito-cujo voa pelos ares para dali a alguns segundos explodir. Pois bem: aí é que entra a teimosia da Mariquinha. Quando todos esperavam que ela soltasse a vareta, ela não fez isso. Aí o povaréu se apavorou: Todos (gritando) – Sorta, Mariquinha! Sorta a vareta! Sorta logo que o rojão vai explodir! Mariquinha – Num sorto coisa nenhuma! A festa é aqui embaixo! Como é que o foguete vai estourar lá em riba??!! E o foguete: chiiiiiiii... Todos (apavorados) – Sorta logo, muié teimosa! Essa coisa vai explodir! Mariquinha – Ah, mas num sorto mêmo. Quero vê ele arrebentá é aqui embaixo! E não deu outra: foi aquela explosão. Morreu a Mariquinha teimosa. Lá vai de tardinha o enterro rua abaixo, pro rumo do cemitério perto do córrego. Ao passar em cima da ponte, não é que o Malaquias tropeça e derruba o caixão na água?! Foi aquele deus-nos-acuda. Todo mundo correu córrego abaixo pra resgatar a Mariquinha teimosa. Menos o cumpádi Malaquias, que, para espanto de todos, garrou a subir rio acima. Todos – Êh, cumpádi, o rio corre é para baixo! Cumé que ocê tá procurando rio acima?! Malaquias (na sua lógica) – Disso eu sei, ué! Mas do jeito que a cumádi era teimosa... Disponível em: <http://www.almanaquebrasil.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9820:mariquinha-teimosa&catid=12996:causos-de-rolando-boldrin&Itemid=222>. Acesso em: 29 ago. 2011 Para conhecer outros causos escritos por Rolando Boldrin, acesse a guia DIVERSÃO no sítio do ALMANAQUE BRASIL (logo abaixo, você encontra um atalho). |
3 de agosto de 2011
Meu ideal seria escrever...
Rubem Braga
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria -- "mas essa história é mesmo muito engraçada!".
Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomasse conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.
Que nas cadeias, nos hospitais, em todas as salas de espera a minha história chegasse -- e tão fascinante de graça, tão irresistível, tão colorida e tão pura que todos limpassem seu coração com lágrimas de alegria; que o comissário do distrito, depois de ler minha história, mandasse soltar aqueles bêbados e também aqueles pobres mulheres colhidas na calçada e lhes dissesse -- "por favor, se comportem, que diabo! Eu não gosto de prender ninguém!" . E que assim todos tratassem melhor seus empregados, seus dependentes e seus semelhantes em alegre e espontânea homenagem à minha história.
E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".
E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".
E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.
A crônica acima foi extraída do livro "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.
Leia mais Rubem Braga em: http://www.releituras.com/rubembraga_menu.asp
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